ExpoManagement: Gestão da Adversidade e do Turnaround - Carlos Ghosn

O franco-libanês-brasileiro e agora "japonês" Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan, contou no último dia da ExpoManagement 2010, sua experiência ao conduzir a empresa por duas crises e como foi possível a recuperação (turnaround) em meio à adversidade.

A 1a, em 1999, foi uma crise INTERNA, momento em que ele acabara de ser indicado presidente da Nissan recém comprada pela Renault (de onde vinha Ghosn) após quase uma década de resultados negativos e em franco caminho de terminar sua história como corporação.

A 2a, foi EXTERNA, a crise mundial de 2008.

Segundo Ghosn (se pronuncia " Gón "), "em uma crise só há duas certezas: primeiro, toda crise tem fim. Segundo, terminada a crise, prepare-se para a próxima!"

Na primeira crise era como "se a casa estivesse infestada de cupins", na segunda, "o bairro todo estivesse em chamas". Foram 2 crises bem distintas, mas algumas práticas aplicadas e aprendidas na primeira ajudaram na segunda.

No Plano de Revitalização da Nissan, Ghosn seguiu algumas premissas suas:
1. Plano de curto prazo: Trienal 
2. Usar pessoal interno sem consultores - o time precisa de confiança e experiência interna. Solução própria integra, externa gera relutância. Afinal o próprio pessoal Renault já era externo suficiente para o povo da Nissan. Para que trazer mais extranhos? 
3. Compromisso do 1o escalão. Como teriam de fazer alguns cortes, o que não agrada ninguém, o 1o escalão da empresa comprometeu-se a demitir-se caso o plano não alcançasse as metas dentro do prazo.
4. Estabelecer poucas metas/prioridades: 3 (que depois Ghosn concordou serem muitas! Uma ou duas é o suficiente nesses casos de crise).
5. Ser bastante objetivo e sem emoção. 
6. Estabelecer uma visão clara e transmiti-la a todo o time.
7. Monitorar a motivação. Fazer com que as pessoas façam o que não querem não é fácil.

Na segunda crise, Ghosn concordou que o time estava mais experiente e maduro. Estabeleceu então uma única meta: manter a empresa rentável, focando no fluxo de caixa, mas sem abandonar o desenvolvimento de produtos (como o Nissan Leaf, 1o carro 100% elétrico, recém-lançado). Estabeleceu também uma função CRO - Chief Recovery Officer, que lideraria o processo. Passada a crise, a Nissan ocupa o lugar de maior lucratividade no setor, afirma Ghosn.

Na hora das perguntas, lhe foi perguntado como foi a reação do time Nissan ao ter um líder estrangeiro à frente do processo de revitalização. Segundo Ghosn, isso o ajudou, principalmente porque a Nissan não vinha bem e estava à beira da morte, enquanto a Renault liderava as vendas na Europa. Mas se ele errasse no inicio, perderia a confiança de todos.
Seu apelido de "Le Cost Killer" mudou para "Mr. Fix-it" depois da recuperação da Nissan e da passagem da crise mundial.

O carisma de Ghosn é tamanho que, apesar de casado e com 4 filhos, no Japão é listado como um dos homens mais desejados para as japonesas se casarem e é personagem de uma Mangá. E no Líbano, já correu um rumor que poderia se candidatar à presidência daquele País.

Sem dúvida a maré de Ghosn está em alta!

Mais informações no portal da HSM:
Da falta de controle para o controle das ações


Veja o resumo das outras palestras da ExpoManagement aqui.


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