Tua Nobre Presença

(foto: Jose Cruz / Wikipedia)


Em 19 de novembro de 1889, 4 dias após a polêmica Proclamação da República, a primeira bandeira republicana temporária foi definitivamente trocada por nossa atual Bandeira Nacional.

Na verdade trata-se da 13a. flâmula nacional desde os tempos do Descobrimento. Mas de 1889 para cá ela apenas sofreu adições de 6 estrelas (hoje são 27) que representam os Estados da Federação que aumentaram em número desde então. 

O Dia da Bandeira não chega a ser feriado, mas é data comemorativa e muito esquecida pelo público em geral. Aliás todo o tema "bandeira" é bem ignorado pela população brasileira em sua maioria. Talvez faltasse mais divulgação ou interesse em preservar a memória e as tradições. Dificil saber o real porquê. 

Mas algumas coisas sobre nossa Bandeira valem a pena saber. Vejamos algumas.

Cores
A atual simbologia das verdes matas, ouro amarelo, azul do céu, etc., é bem representativa, mas tem sua origem nas cores e até desenho da bandeira do Império:


Onde o verde é da hieráldica da Casa de Bragança portuguesa e o Amarelo dos Habsburgos austríacos. O losango em heráldica é também um símbolo feminino, denotando alguma linhagem "por parte de mãe".

Céu Azul
O círculo azul com as estrelas, retrata a configuração das estrelas no céu do Rio de Janeiro em 15/11/1889 mas não da óptica de quem olha para os céus, mas de um ponto-de-vista hipotético de alguém de "fora do espaço" olhando em direção à Terra, para o Rio. Ou seja, quase um "negativo" da vista do céu naquela data. Algo como um ponto-de-vista "Divino" daquele momento.

Ordem e Progresso
Os dizeres positivistas inspirados em Auguste Comte são grafados em verde igual ao do fundo da bandeira, e não em preto como alguns pensam ou afirmam.

Uso
Ao contrário do que a maioria pensa, por melhores e mais patrióticas intenções, a Banderia Nacional não pode ser usada ao bel prazer. Seu uso tem regras, mais! tem uma Lei!, a 5.700 de 01/09/1971. Então antes de cometer uma gafe ou mesmo desrespeito com nosso símbolo máximo nacional, não custa nada saber mais. O site do Exército Brasileiro tem uma versão mais simples e didática para consulta rápida. Veja aqui.

Um pouco de história. Durante séculos, as bandeiras representavam também em combate, nações, reis, nobres, comandantes, unidades militares, etc et al. E tomar uma bandeira inimiga representava a vitória em combate. Por isso, as bandeiras eram conduzidas em combate por algum oficial jovem, o alferes (do latim aquila feris, porta-águia das legiões romanas), em condições de portá-la e defendê-la de ser capturada pelo inimigo. Para essa tarefa, o Oficial Porta-bandeira contava com uma guarda, também composta por 5 ou 6 jovens soldados, mas já com alguma experiência em combate. Dessa tradição de combate surgiu o hábito cerimonial de também conduzir bandeiras em desfiles, conduzida pelo mesmo Porta-bandeira, ladeado pela Guarda-bandeira composta por 5 Cabos (ou 6 se a Guarda contar com mais algum Porta-estandarte). Até hoje, nas unidades militares brasileiras, é atributo do Tenente mais moderno da tropa conduzir a Bandeira em desfiles, sendo substituído a cada ano por outro mais novo. Curiosamente, o depois Marechal e Duque de Caxias, quando apenas Tenente Luis Alves de Lima e Silva, fora Porta-bandeira do Batalhão do Imperador no Rio de Janeiro, hoje Batalhão da Guarda Presidencial de Brasília.
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Nossa Bandeira jamais pode ficar 'no escuro', por isso, quando em mastro, deve ser hasteada com o sol já brilhando e arriada no poente, ou as 8h e 18h respectivamente. Se ela tiver de permanecer hasteada de noite, a devida iluminação deve ser providenciada.
Existe um lugar no Brasil em que a Bandeira sempre está hasteada: na Praça dos Três Poderes em Brasília, uma das maiores bandeiras em mastro do mundo. E mesmo quando ela precisa ser substituída mensalmente para apresentar-se sempre bela e nova, acontece uma cerimônia feita de forma que sempre haja uma Bandeira tremulante ao mastro. Isso porque existe um mecanismo que permite o hasteamento e arriação simultâneos, uma sobe enquanto outra desce (vide foto acima). São necessários mais de 100 homens para transportá-la e dobrá-la em solo. A cerimônia de troca da Bandeira é mensal e fica a cargo, em rodízio, de contingentes das Polícias das 3 Forças Armadas e da Polícia Militar do Distrito Federal.

Descarte
Falando em "troca" de Bandeira, o que você faz com aquela sua Bandeira velha, poída, desfiando da última Copa do Mundo? 
Não vá me dizer que você a joga fora!

Não é um simples pedaço de pano descorado. É um símbolo nacional! Que tem também seu descarte regulado. Simples: entregue suas bandeiras velhas em qualquer quartel das Forças Armadas ou PM. Elas são guardadas e todo dia 19 de Novembro são honrosamente incineradas nos quarteis Brasil afora, pontualmente ao meio-dia em cerimônia especificamente destinada a isso: o Dia da Bandeira. Ao som o Hino à Bandeira ("Salve lindo  pendão da esperança...") cantado pela tropa formada, o Praça mais antigo presente, normalmente um Subtenente, procede a incineração das Bandeiras inservíveis em uma pira.
Após a cerimônia as cinzas tampouco são descartadas. Cada quartel tem em seu terreno, um pequeno espaço de "solo pátrio", em um jardim por exemplo, onde um pequeno molde em cimento com tampa, mas sem fundo (só terra), recebe as cinzas das Bandeiras, que são sorvidas pelo solo pátrio ao longo do ano.

Portanto, ao meio-dia desse 19 de novembro, pare um pouco. Demonstre respeito e reflita uns poucos instantes. Bandeiras Nacionais por esse imenso Brasil estarão sendo incineradas, deixando de cobrir "esse céu de puríssimo azul", no entanto deixando "tua nobre presença" sempre entre nós.

Um Feliz 19 de Novembro.

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Não custa nada, deixar a letra do "Hino à Bandeira", letra de nada menos que Olavo Bilac para a melodia de Francisco Braga:


Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
paira sempre, sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

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